Oncologia

UM "CHOQUE" INOVADOR AOS TRATAMENTOS ONCOLÓGICOS
A ELETROQUIMIOTERAPIA

Introdução

A eletroquimioterapia é uma modalidade de tratamento local do câncer, relativamente nova, que foi desenvolvida pelo Dr. Lluis Maria Mir, Institute Gustave Roussy – França, desde o princípio dos anos 80. Finalmente no ano de 2006 a técnica foi padronizada para utilização em pacientes humanos na comunidade europeia e hoje mais de 140 centros de oncologia humana, todos localizados na Europa, dispõem da técnica em suas rotinas. O Brasil, em medicina veterinária, vem despontando com uma das grandes referências na técnica. Dentre as principais características da eletroquimioterapia podemos citar seu baixo custo comparado a outras técnicas de controle local, como a radioterapia, seu alto índice de resposta as mais diferentes neoplasias (da ordem de 80%), e sua simplicidade de realização.

Princípios

A técnica de eletroquimioterapia está fundamentada em dois princípios, a eletropermeabilização e a quimioterapia. A eletropermeabilização tem função de um vetor para maximizar a entrada de drogas não permeantes a membrana plasmática e dessa forma potencializá-las. Sob o conceito da eletroquimioterapia duas drogas são as de eleição, a Bleomicina e a Cisplatina. A Bleomicina teve seu efeito potencializado em milhares de vezes em estudos in vitro, e a cisplatina em dezenas de vezes. Praticamente todas as drogas mais tradicionais já foram testadas sob esse conceito e não apresentaram resultados que justificassem seu uso, sendo ou muito pouco potencializadas ou não potencializadas.

 Procedimento de Eletroquimioterapia

 O procedimento de eletroquimioterapia pode ser realizado em humanos tanto com anestesia geral como com bloqueio local. Em medicina veterinária o desconforto promovido pelos pulsos elétricos permite apenas que a técnica seja realizada sob anestesia geral, sem causar grande estresse nos animais. Os fármacos utilizados são administrados alguns minutos antes da aplicação dos pulsos elétricos, no caso da administração intravenosa. O tempo para realização da técnica é bem rápido quando o quimioterápico é administrado pela via intravenosa, e dispomos aproximadamente de 25 minutos para aplicação dos pulsos elétricos. Esse tempo é aquele onde o fármaco tem concentração plasmática que garante sua ação no conceito de eletroquimioterapia. 

Efeitos colaterais

Uma das grandes características da eletroquimioterapia são os poucos efeitos colaterais sistêmicos. Sinais gastrintestinais e leucopenia não são observados associados a administração dos fármacos antineoplásicos utilizados. No regime de eletroquimioterapia, o NADIR não é observado. O efeito colateral sistêmico mais importante associado a bleomicina – principal quimioterápico utilizado em eletroquimioterapia - é a fibrose pulmonar, porém esta é mais observada em pacientes que se aproximam de 20 administrações intravenosas da droga. Esse número de sessões em eletroquimioterapia é improvável, com a grande maioria dos pacientes recebendo de 1 a 3 sessões da técnica. Os principais efeitos colaterais da técnica são locais e estão associados a destruição do tumor que a técnica proporciona. Logo estes variam desde dor local, dependendo da região e extensão do tumor, ulcerações, eritema, edema, etc. Vale lembrar que a ação da eletroquimioterapia é predominantemente seletiva ao tecido neoplásico. Essa é uma das grandes características da técnica, que proporciona a destruição do tecido tumoral com uma observável preservação de tecido saudável.

Indicações da eletroquimioterapia

Os princípios da técnica permitem que ela seja desenvolvida em neoplasias de qualquer origem histológica, sendo um dos grandes limitantes o acesso ao local com os eletrodos.

Embora seja uma técnica inicialmente desenvolvida para formações cutâneas e subcutâneas, já existem trabalhos para sua aplicação em cavidades e isso é um dos grandes avanços que prometem ser uma realidade em breve. A abordagem transoperatória já é uma realidade e tem ampliado muito as possibilidades de pacientes com neoplasias em regiões de difícil planejamento cirúrgico, como em cavidade oral, extremidades, perianal entre outras.

Maior casuística mundial – Brasil

O Brasil hoje desponta como o país com o maior número de pacientes veterinários tratados e já pode ser considerado como uma das referências na técnica no mundo. O número de profissionais que aplicam a técnica com conhecimento cresce a cada ano e as possibilidades que a técnica permite associada as outras armas de combate ao câncer sem dúvidas conseguem mudar o desfecho de muitos pacientes. A associação da eletroquimioterapia à cirurgia tem alcançado resultados importantes, proporcionando cirurgias mais conservativas e até mesmo tornando factíveis procedimentos tecnicamente inviáveis somente com a técnica cirúrgica tradicional. Isso se traduz em maiores possibilidades para os pacientes oncológicos além de melhor qualidade de vida associada ao tratamento. Sem dúvidas a ferramenta eletroquimioterapia veio para acrescentar e sua alta eficiência aos mais diferentes canceres e sua diferencial associação a técnica cirúrgica é um grande avanço a oncologia e os profissionais que estiverem atualizados em relação aos conhecimentos associados a essa nova técnica estarão à frente em suas condutas.

 Existem 2 cursos da técnica no mundo, um realizado na Eslovênia, realizado pelo grupo da profa. Natasa Tozon, da Universidade de Ljubljana, desde 2016 e outro curso realizado pelo Vet Câncer desde 2013. Um novo curso está por surgir através do Instituto Quallitas agora em 2017, organizado pelos Físico e MV PhD Marcelo Monte Mór Rangel, do Vet Câncer, e pelo Professor Esp Carlos Eduardo Rocha, do Instituto Qualittas. 

(texto gentilmente elaborado pelo Físico e MV PhD Marcelo Monte Mór Rangel, do Vet Câncer.